Afetividade, dignidade humana e acolhimento institucional: reflexões à luz do Direito Civil Contemporâneo
Resumo
Resumo: O presente artigo tem como objetivo analisar a relação entre afetividade, dignidade da pessoa humana e acolhimento institucional de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade social, à luz do Direito Civil contemporâneo. A problemática que orienta esta investigação consiste em compreender de que maneira o acolhimento institucional pode contribuir para a efetivação dos direitos fundamentais relacionados ao pertencimento, à convivência familiar e comunitária e à proteção da dignidade humana. A relevância do estudo decorre da necessidade de ampliar as reflexões jurídicas sobre o acolhimento institucional, incorporando dimensões afetivas e existenciais frequentemente negligenciadas nas análises tradicionais. Para alcançar os objetivos propostos, adotou-se uma pesquisa de abordagem qualitativa, de natureza exploratória e descritiva, desenvolvida por meio de revisão de literatura. Foram analisadas obras doutrinárias, legislações e produções científicas relacionadas aos direitos da criança e do adolescente, à afetividade nas relações jurídicas e à proteção integral. Os resultados evidenciam que a afetividade constitui elemento indispensável para o desenvolvimento integral de crianças e adolescentes acolhidos, contribuindo para a construção da identidade, do pertencimento e da dignidade humana. Conclui-se que o acolhimento institucional deve ultrapassar a função meramente assistencial, assumindo papel efetivo na promoção de direitos fundamentais e na construção de ambientes humanizados de proteção.
Referências
BRASIL. Lei n.º 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Diário Oficial da União: Brasília, DF, 16 jul. 1990.
DIAS, Maria Berenice. Manual de Direito das Famílias. 16. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2023.
DIGIÁCOMO, Murillo José; DIGIÁCOMO, Ildeara de Amorim. Estatuto da Criança e do Adolescente anotado e interpretado. Curitiba: Ministério Público do Estado do Paraná, 2020.
FARIAS, Cristiano Chaves de; ROSENVALD, Nelson. Curso de Direito Civil: famílias. 15. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 7. ed. São Paulo: Atlas, 2022.
LÔBO, Paulo. Direito Civil: famílias. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
PILOTTI, Francisco; RIZZINI, Irene. A arte de governar crianças: a história das políticas sociais, da legislação e da assistência à infância no Brasil. 4. ed. São Paulo: Cortez, 2019.
RIZZINI, Irene. O século perdido: raízes históricas das políticas públicas para a infância no Brasil. 3. ed. São Paulo: Cortez, 2018.
SARLET, Ingo Wolfgang. Dignidade da pessoa humana e direitos fundamentais na Constituição Federal de 1988. 13. ed. Porto Alegre: Livraria do Advogado, 2021.
SOUSA, Vânia Matildes Germano; MIRANDA, Graciela Celsa Zarate. Acolhimento institucional e infância no Brasil: tensões, desafios e perspectivas. Humanidades & Tecnologia (FINOM), v. 63, p. 1-16, out./dez. 2025. DOI: 10.5281/zenodo.18064461.
TARTUCE, Flávio. Direito Civil: Direito de Família. 19. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2024.
VERONESE, Josiane Rose Petry. Direitos da criança e do adolescente: proteção integral e cidadania. Florianópolis: Fundação Boiteux, 2022.





.png)