Perfil Epidemiológico Podiátrico de Bailarinas entre os 8 e os 18 Anos
Resumo
A prática de ballet clássico impõe exigências biomecânicas elevadas ao pé e tornozelo, sobretudo em fases de crescimento e maturação musculosquelética. Em idades pediátricas e adolescentes, a repetição de cargas, o treino intensivo e a necessidade de controlo postural fino podem associar-se ao desenvolvimento de dor, alterações morfológicas do pé e padrões funcionais compensatórios. Caracterizar o perfil epidemiológico podiátrico de bailarinas entre os 8 e os 18 anos, descrevendo a prevalência de dor, as alterações posturais e morfológicas do pé e os fatores a elas associados. Estudo observacional, transversal e descritivo, baseado numa base de dados clínica de rastreio podiátrico realizada entre 2014 e 2021. Do universo inicial de 2478 registos clínicos, foram analisados 2232 casos, após exclusão de avaliações com omissão de dados relevantes. As variáveis categóricas foram comparadas através do teste do qui-quadrado; para as variáveis contínuas utilizou-se ANOVA ou Kruskal-Wallis, conforme aplicável. A amostra foi maioritariamente feminina (92,1%), com idade média de 12,34±1,92 anos. O baixo peso foi a categoria de IMC mais frequente (68,1%). A prevalência de dor no pé nos últimos 12 meses foi de 30,7% (autorreportada por questionário), enquanto a dor há mais de 12 meses ocorreu em 15,6% dos casos. Verificou-se associação significativa entre grupo etário e dor nos últimos 12 meses (χ²=39,24; p<0,001). Globalmente, 54,8% dos casos apresentaram HAV grau I ou superior. Observaram-se diferenças significativas entre grupos etários no tipo de pé, apoio unipodal, genu, pronação excessiva, assimetrias dinâmicas e insuficiência do 1.º raio (p<0,05). As bailarinas entre os 8 e os 18 anos apresentam elevada prevalência de dor podal e alterações morfofuncionais, com agravamento associado à idade e à prática prolongada. Estes resultados reforçam a importância do rastreio podiátrico sistemático e da intervenção preventiva precoce.
Referências
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